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Estilingue + Vidraça = ? | Blog

Estilingue + Vidraça da Vizinha = ?

Bom, há uns 20 anos, essa equação seria rapidamente respondida. Mas hoje… já não sei se todos saberiam a resposta. Os pais, talvez. Mas tenho certeza que a maioria das crianças não saberia nem o que é um estilingue.

Como já escrevi em outro post (cadê o gesso?), as crianças de hoje não têm infância e as razões são diversas: violência, excesso de tecnologia, falta da presença dos pais no dia-a-dia… e todos elas são válidas e verdadeiras.
Porém, para mim, as crianças não têm mais infância porque não sabem mais “brincar” mesmo. Foi-lhes tirada a força motriz de uma infância feliz: a criatividade.
As crianças hoje não criam, não fazem-de-conta, não sabem mais contar histórias, criar personagens, fazer seus brinquedos com as mãos.

Eu me esforço diariamente para que meus filhos sejam criativos. Só que isso envolve sujeira, pés lameados na sala, alguns sustos, machucados, cicatrizes. E, de vez em quando, um dinheirinho também.

Voltando de uma viagem às Minas Gerais, trouxe para Lisa e Levi dois estilingues. Regras postas, local de prática definido, “munição” definida…. deixei serem felizes.
Minha alegria durou um dia. Levi chega com o estilingue na mão e a cara inchada de chorar. “Pronto, matou um!”, pensei.
– Mãe….
– Levi, meu Deus, o que foi que você fez???
– Eu … eu… eu quebrei o vidro da vizinhaaaaa… buááá!
Tive que me segurar pra não soltar uma gargalhada daquelas, continuei com a postura de mãe-séria e falei:
– Filho, o que você estava fazendo com o estilingue na rua? Nós não combinamos que teria um lugar certo para brincar, com as bolinhas certas?
– Sim… (enxugando os olhos), mas eu achei que isso não acontecia na vida real….
Mais risadas internas, testa franzida do lado de fora. “O que esse menino estava tentando provar?”
– Vamos lá pedir desculpa para a vizinha e assumir os custos do conserto.

(…)
– Dona Fulana, meu filho quebrou sua vidraça com estilingue, a senhora me perdoa, vamos arcar com as despesas, vou contactar a vidraçaria agora….
– Estilingue? O que é isso?
Mostrei.
– Ah! Atiradeira! – e ela começa a rir também. O marido chega.
– Meu Deus, quanto tempo não vejo um desses, eu matava muito passarinho com isso!
– “Não dá idéia, moço…”, pensei.
E aí o papo se estendeu por quase uma hora, sobre esse “tempo bom”.

E foi aí que, como sempre, coloquei a “cachola” pra pensar sobre limites e concessões… Porque somos tão chatos com algumas coisas, e tão permissivos com outras?
Crianças hoje fazem o que querem, têm “voz” ativa, ditam suas próprias regras. Menos uma… a de serem livres para “serem criança”.

Resumo da ópera: existem limites e eles devem ser respeitados. Se quebrados, deve haver punição. Ponto.
Mas… aonde entra a criatividade, a espontaneidade e a alegria de ser criança? Onde elas se encaixam em uma rotina diária de escola, cursos, esporte, mais cursos, mais esporte, música, teatro, dança, …?

Gosto de uma alegoria que Murilo Gun usa pra definir esse conceito.
Toda criança precisa ter uma “régua de liberdade”. Ela será definida pelos pais. Onde essa régua pode ser “esticada” é você quem define. Mas se metade dela for só proibições, não é liberdade, é escravidão.

Uma criança precisa de ordem, disciplina, regras, rotina. Isso ajuda em seu desenvolvimento cognitivo.
Mas uma infância feliz se constrói com alegria, espontaneidade, quebra de rotina (uma sessão de cinema inesperada no meio da semana de estudos), topadas no pé, galos na cabeça, cicatrizes nas pernas, vidraças quebradas… e muitas, muitas outras histórias pra contar.

Carla
Carla
Carla Machado é casada com Ronald há 17 anos e é mãe da Lisa, do Levi e da Laís. É palestrante e coach de pais com especialização em Eneagrama, certificada pela International Enneagram Association.

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